Uma já tradicional amizade de família nos fez conhecer papéis íntimos de André Rebouças. Desses sobressai o — Diário — mais de vinte grossos cadernos encadernados, escritos entre 1863 e 1891.
Sempre nos pareceu que o interesse dessa anotação da vida, das atividades multiformes, das preocupações e projetos desse homem, que tanto viveu a vida brasileira do segundo reinado e primeiros dias da República era imenso.
Escrúpulos justificadíssimos impediram que tal diário fosse posto à disposição de estranhos e, por isso, só uma pequena parte foi confiada a Monteiro Lobato por José Pereira Rebouças, irmão de André.
Monteiro Lobato publicou, em 1920, algumas páginas referentes à guerra do Paraguai, na Revista do Brasil agora devolvendo os originais.
Depois Carolina Nabuco e a filha de Carlos Gomes tiveram dele conhecimento, e dele tiraram elementos preciosos para os estudos que fizeram de seus pais.
Isso mais nos incitou a entusiasmar a herdeira desses papéis a dar-lhes publicidade. Longe estávamos de imaginar que recaíssem em nós os encargos e a responsabilidade da escolha necessária num material que transborda a história familiar, e toca pelos seus reflexos à vida e à gente do seu tempo.
Aceitamos esse encargo, que a aproximação do centenário de seu tio decidiu Maria Carolina Rebouças a no-lo confiar, convencidos que seria obra meritória concorrer para recordar esse homem "a quem o Brasil não pagou ainda a sua dívida".
ANA FLORA
INACIO JOSÉ VERISSIMO