Tavares Bastos (Aureliano Cândido): 1839-1875

João Lins Vieira Cansanção de Sinimbú e José Tavares Bastos, contemporâneos dos bancos acadêmicos, mediam-se agora numa justa ingrata, início de acontecimentos mais graves que ensanguentariam ingloriamente a província natal.

Encontrando-se na vila de Maceió e informado da rebelião, Sinimbú, na qualidade de primeiro vice-presidente, assume aí o Governo, e conclama os municípios, para a defesa da ordem constitucional.

Estabelece-se assim a dualidade.

Homens da mesma geração, de idêntica formação intelectual, José Tavares Bastos e Sinimbú separam-se, como duas naturezas antagônicas.

Descendente de velhos caudilhos sertanejos, inteligente e sagaz, Sinimbú, com uma grande ambição de domínio, sabendo no entanto processá-la com método e fria decisão, era um adversário temível.

José Tavares Bastos, impetuoso e eloquente, orador das objurgatórias atrevidas, entrava nas lutas sem cálculo, deixando facilmente envolver-se pelas paixões do momento e por elas arrastado a situações irreparáveis.

Fisicamente os dois formavam o mais vivo contraste: Sinimbú, alto, elegante, de maneiras medidas, em que se refletia a ponderação de cada atitude; José Tavares Bastos, baixo, com um corpo de criança, minúsculo, era todo vibração e arrojo.

Sinimbú, com aquela rara disciplina de nervos, sabia prever os efeitos dos golpes desferidos, enquanto que o adversário - vibrante e leal - se dava sem

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