As guerras dos Palmares (subsídios para a sua história). 1º volume. Domingos Jorge Velho e a “Troia negra”, 1687-1700

foi o duro preço por que todas as sociedades modernas puderam entrar no grêmio dos povos cultos, e que, se realmente praticamos em larga escala o comércio da escravatura, não devemos nem podemos esquecer que sem negros o Brasil não teria existido; sem escravos, nação alguma começou (O. Martins, idem, p. 53) e que todas deles se utilizaram, em maior ou menor escala. Desde a mais remota antiguidade a escravatura foi a triste sorte dos vencidos, e nem sempre fomos os mais violentos na aplicação dos castigos; mas até os mais tolerantes e compassivos, como ainda hoje as nossas colônias o atestam e modernos inquéritos o demonstram eloquentemente. E se é certo que o martirológio desse negro escravizado foi imenso, não foram menores os horrores e martírios que tantas vezes esses pobres colonos portugueses suportaram em Pernambuco, vítimas do barbarismo e das ferocidades desses mesmos negros revoltados.

Durante perto dum século, suportamos com a maior resignação e heroísmo assaltos, roubos, assassínios e violências, que só após porfiadas lutas colonos e portugueses souberam dominar, nessa tremenda rebelião que impropriamente se habituou chamar a Confederação dos Palmares.

Que admira, pois, que o negro se rebelasse?!! Considerem-se, ainda, os fatores que deviam influir no espírito do infortunado negro; a nostalgia do terra que o vira nascer; a famosa doença "O Banzo",

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