Visitantes do Brasil colonial (séculos XVI-XVIII)

Não havia soldado que não assumisse ares os mais atrevidos! Não fizesse transparecer quando se julgava mil vezes superior, já não tanto aos oficiais franceses de pequena patente, e sim até ao seu próprio General!

E, no entanto, que aspecto sórdido o seu! Andrajosos, em geral, verdadeiros farroupilhas, não hesitavam, ao lusco-fusco, em pedir esmola àqueles a quem tão pouco havia mostravam desprezo. E o faziam para "acalmar as mais urgentes instigações da necessidade".

Naquela penúria incrível em que viviam tratavam-se, no entanto, mutuamente, por "fidalgos" (?!), título em Lisboa privativo dos nobres.

Eis uma novidade de polpa para nós outros. Esta interpelação de Fidalgo! Fidalgo! de soldado a soldado...

"A tão desmascarado orgulho os portugueses do Brasil acresciam a mais crapulosa indolência."

Bastava-lhes ganhar algumas patacas de cobre, graças ao exercício de qualquer profissão "vil e diminuta", para imediatamente fecharem as sórdidas lojas, envergar a capa, empunhar o violão e irem ao encontro de suas "senhoras", de quem se não desprendiam senão quando o apuro os forçava a retomar o trabalho.

Quando não mendigavam, o que muito lhes aprazia, tratavam de roubar aos estrangeiros. A tanto os acoroçoava a mais completa impunidade.

Que vagabundos aqueles portugueses do Rio! Que existência vazia, indolente e tediosa levavam!

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