Segundo episódio
O veado foi morar em companhia do cachorro.
Passado muito tempo, a onça também foi morar lá, porque o veado já se tinha esquecido dela.
No outro dia foram caçar. A onça queria pegar o cachorro. O cachorro, de tarde, quando voltou, trouxe caça pequena: cotia, paca, tatu e inhambu. Jantaram e depois de jantar foram jogar. A onça jogava e dizia:
— O que eu caçei não pude pegar.
O cachorro jogava e dizia:
— Quem tem perna curta não deve caçar.
Assim jogaram até que a onça saltou no cachorro. O cachorro e o veado fugiram, a onça seguiu atrás e, quando pegou o veado, este virou pedra.
O cachorro atravessou um rio e disse à onça:
— Agora, se me queres pegar, só se me jogares uma pedra.
A onça agarrou na pedra e jogou. Quando a pedra caiu na outra banda, gritou: mé! e virou outra vez em veado. Foi daí que se gerou a raiva do cachorro contra a onça.
XIII
A moça que vai procurar marido
NOTA — O pensamento moral contido nesta lenda é o seguinte: para a mulher que procura marido, não bastam as riquezas deste; é preciso que o físico do homem não seja repulsivo. Para desenvolver esta verdade, o bardo primitivo supõe que, estando uma moça padecendo de fome em casa de sua mãe, e indo procurar marido, a sorte fê-la encontrar primeiramente a raposa, que, apesar de poder ter a casa em fartura, com a muita caça que agenciava, não lhe agradou pelo mau cheiro que as raposas exalam. O mesmo aconteceu com o urubu, que, apesar de rico de caça, é repulsivo. Ela se casou com o anajé