A lei da perfectibilidade humana é tão inflexível como a lei física da gravitação dos corpos.
Desde que o selvagem possui, com a inteligência da língua, a possibilidade de compreender o que é civilização, ele a absorve tão necessariamente como uma esponja absorve o líquido que se lhe põe em contato.
Esses homens ferozes e temíveis, enquanto não entendem a nossa língua, são de uma docilidade quase infantil desde que compreendam o que lhes falamos.
Não são só eles.
Quem estudar o que os ingleses fizeram na Índia, os russos na Ásia e na América, os portugueses e espanhóis na África, Ásia e América, verá a mesma coisa. Por toda a parte onde quer que uma raça civilizada se pôs em contato com uma raça bárbara, viu-se forçada: ou a exterminá-la, ou a aprender a sua língua para com ela transmitir suas ideias.
É esse o alcance daquelas palavras de Cristo quando, dando aos apóstolos a missão de levar a religião de paz e caridade através das trevas do mundo pagão, lhes disse: "O Espírito Santo descerá sobre vós e vos dará o dom das línguas".
Sim, por toda a parte onde a civilização da humanidade se pôs em contato com a barbaria, o problema de sua existência só teve um destes dois instrumentos:
Ou o derramamento de sangue;
Ou o intérprete.
Não há meio termo. Ou exterminar o selvagem, ou ensinar-lhe a nossa língua por intermédio indispensável da sua, feito o que, ele está incorporado à nossa sociedade, embora só mais tarde se civilize.
Desde então a criação de um corpo de intérpretes destinado a ensinar aos selvagens a nossa língua, que eles aprendem com grande facilidade, quando se lhes ensina na sua, fica evidente que será meio eficaz para