Dois dias antes, o lar estivera em festa. Fizeram música depois do jantar, e à noite dançaram. Cecilia, filha da dona da casa, comunicava, então, aos convidados a alegria da sua alma. É que aquele que o seu coração escolhera — Paulino — repetira-lhe pela milésima vez que a amava apaixonadamente e declarara-lhe que no dia seguinte seu pai viria tomar, com o de Cecilia, as últimas providências para o casamento.
O ar triste da mãe — ou talvez o perfume do incenso — fez-me pressentir alguma catástrofe recente.
Perguntei por Cecilia.
— Cecilia está desesperada, respondeu a senhora. Acaba de se fechar no quarto para escrever à sua padroeira celeste.
— Como? Que padroeira? Perguntei inocentemente.
A mãe lançou-me um olhar admirado.
— Minha filha chama-se Cecilia, observou ela. Sua padroeira é, por conseguinte, Santa Cecilia. Não sente o senhor um cheiro de incenso?
— Perfeitamente, mas... a senhora diz que sua filha está escrevendo a Santa Cecilia? Continuei, pensando haver entendido mal.
— Sem dúvida. Escreve-lhe uma carta que chegará às suas mãos antes da ceia.
Eu estava de pouco na terra brasileira . As palavras da senhora eram para mim um enigma indecifrável. Afinal ela teve pena da minha ignorância e